Luso-Ilírio

Povos europeus quase contemporâneos (aprox. sec. IV a.c.), os Lusitanos e os Ilírios partilharam o Paralelo 40º, abraçando os dois extremos do Sul da Europa – um projecto Luso-Ilírio

Perante os inegáveis sinais de um início de mílénio ainda dominado pelo sofrimento, conflito e desigualdade, traça-se o objectivo – rumo ao Desenvolvimento Humano.

 

Origem

Apesar de as fronteiras da Lusitânia não coincidirem perfeitamente com as de Portugal de hoje, os povos que aqui habitaram são uma das bases etnológicas dos portugueses do centro e sul e também dos extremenhos da Extremadura espanhola.

Muitos dos povos antigos que entraram na Península Ibérica deixaram no território da Lusitânia vestígios bem marcados dos contactos comerciais e de influência cultural, nomeadamente, e perfeitamente acentuados e reveladores de uma assimilação mais profunda, são os vestígios da ocupação romana e também os das invasões dos visigodos e dos árabes. Alguns historiadores antigos referem-se ao ouro da Lusitânia, riqueza que como a prata é hoje testemunhada pela frequência dos achados em Portugal, de numerosas jóias típicas fabricadas com esses metais — colares, braceletes, pulseiras, arrecadas, etc. O cobre, em abundância, extraía-se das minas do Sul. O chumbo encontrava-se, segundo Plínio, na cidade lusitana de Medubriga Plumbaria, que da abundância local daquele minério teria recebido o nome.

Na divisão administrativa romana foi dividida em três conventus, no total de 46 cidades, sendo 5 de colonos romanos, entre as quais as duas que correpondiam a Beja (Pax Julia) e Santarém (Scalabis); uma outra cidade de direito romano, Olissipo (Lisboa); três usufruíam o direito lácio – Ebora, Myrtilis e Salacia (Évora, Mértola e Alcácer do Sal); finalmente 37 eram da classe estipendiária, entre as quais se destacam Aeminium (Coimbra), Balsa (Tavira), Miróbriga (Santiago do Cacém).

Algumas dessas comunidades encontram-se por localizar com precisão: Ossonoba (Faro), Cetóbriga (Tróia de Setúbal), Collippo (Leiria), Arabriga (Alenquer).

O vínculo administrativo com Roma terminaria em 411 quando o imperador Honório, após um prolongado período de guerra civil, estabeleceu um pacto com os Alanos que lhes concedia a Lusitânia. Dois anos mais tarde, porém, seriam os Visigodos a expulsar os Alanos, iniciando o domínio da Lusitânia a sul do Tejo, enquanto que a norte os Suevos continuavam com o seu reino com capital em Braga.

Quem são os Lusitanos

Os lusitanos são normalmente vistos como uns dos antepassados dos portugueses do centro e sul do país e dos extremenhos. Eram um povo celtibérico que viveu na parte ocidental da Península Ibérica. Primeiramente, uma única tribo que vivia entre os rios Douro e Tejo ou Tejo e Guadiana. Ao norte do Douro limitavam com os galaicos e astures – que constituem a maior parte dos habitantes do norte de Portugal – na província romana de Galécia, ao sul com os béticos e ao oeste com os celtiberos na área mais central da Hispânia Tarraconense.

A figura mais notável entre os lusitanos foi Viriato, um dos seus líderes no combate aos romanos.

Fonte: www.wikipedia.org

Em albanês, Iliria – “terra dos livres”
Em grego, Ἰλλυρία
Em latim, Illyricum

Origem e Território Histórico dos Ilírios

De acordo com as fontes históricas disponíveis, o termo “Ilírio / Ilíria” tem um significado histórico-geografico, algumas vezes, distinto. Segundo os estudos mais recentes, baseados não só nas fontes escritas mas também nas descobertas arqueológicas e linguísticas, resulta que o território histórico dos ilírios ocupava toda a parte oeste da Península Balcânica, a partir da nascente dos rios Morava e Vardar a Este, até a costa do Mar Adriático e Iónico a Oeste, e desde do rio Sava, a Norte, até ao Golfo da Ambracia, no Sul, isto é, até a fronteira da Grécia Antiga. A capital do Reino da Ilíria era a actual cidade albanesa de Shkodra.

Os Ilírios falavam uma língua que se distinguia das línguas dos outros povos da Península Balcânica na antiguidade. Era uma língua indo-europeia particular, que tinha algumas parcenças com outras línguas da época.

As línguas gregas e latinas, que entraram no Reino da Ilíria como línguas culturais, de negócios ou como línguas oficiais administrativas, nunca foram línguas assimiladas pelo povo, o qual mateve intacta a sua língua materna na sua vida quotidiana.
Da língua original dos ilírios restam ainda alguns elementos, como é o caso de cerca de 1000 nomes de pessoas, deuses, tribos, lugares e alguns nomes de rios, montanhas e cidades (p.e. Skodra, Lisi Dyrrahu, etc.) que ficaram com os seus nomes intactos até hoje.
Diversos estudiosos têm também identificado como ilírio algumas palavras presentes nas outras línguas, tanto nas antigas como nas actuais línguas Europeias, as quais foram importadas ou herdadas da língua Ilíria.

Cultura

A cultura Ilíria tem características que a diferenciam das culturas dos restantes povos vizinhos da Era desenvolvida do Bronze. Era uma cultura muito própria que teve origem no lugar histórico dos ilírios, fortemente marcada pelo desenvolvimento socio-económico deste povo e, sem dúvida, pela sua relação com os povos vizinhos.

Os principais aspectos desta cultura manifestam-se sobretudo nas realizações dos ilírios na área do desenvolvimento socio-económico, nos modos de vida e na percepção do mundo que os rodeava, assim como na reflexão que fizeram desse mundo na arte e na criatividade em geral.
Um território com muitas disparidades sócio-económicas regionais, a invasão romana veio contribuir para o abatimento das diferenças de carácter etnográfico entre os ilírios.

Um argumento que se utiliza para provar a romanização é a adopção da língua latina como língua oficial daquele tempo. Contudo, a língua latina nunca conseguiu substituir a língua ilíria, nomeadamente como o instrumento mais expressivo das relações sociais e familiares, nem mesmo nas cidades onde os ilírios mais conviveram com os habitantes itálicos. A presença contemporânea da língua albanesa nos territórios do Sul de Itália testemunha claramente contra a eficácia da romanização de uma grande parte desta população.
Por via de argumentos linguísticos, arqueológicos e extra-arqueológicos, diversos estudiosos têm provado que mesmo depois da invasão romana, os Ilírios não desapareceram nem foram assimilados, mas guardaram inúmeros elementos da sua cultura espiritual e material, conservaram-se como uma população compacta e estável, e que o Reino da Ilíria resistiu melhor à romanização na Ilíria do Sul – terras que são hoje habitadas, principalmente, pelos albaneses.